Nossa Dança é para Jesus

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MINISTRAR COM DANÇAS

Jesus nos deu uma ordem: "Ide e pregai o evangelho",
 é para isto que devemos usar as nossas habilidades.



A dança é para expressar, louvar e adorar a Deus e impactar o mundo com nossa expressão corporal chamando-o para o reino.

"Porque fostes comprados por alto preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo". (I Coríntios 6:20).

Dançar é definido como uma manifestação instintiva do ser humano. Antes de polir a pedra e construir abrigos, os homens já se movimentavam ritmicamente para se aquecer e comunicar. 

Considerada a mais antiga das artes, a dança é também a única que dispensa materiais e ferramentas. Ela só depende do corpo e da vitalidade humana para cumprir sua função. 

Dança, em sentido geral, é a arte de mover o corpo seguindo uma certa relação entre tempo e espaço, estabelecida graças a um ritmo e a uma composição coreográfica.

Toda vez que nos colocamos perante a igreja para ministrar com dança, é como se nosso coração tivesse uma expectativa de saber como Deus irá receber o nosso louvor. Cada vez que entramos na presença do Senhor, tudo parece novo e sua presença sempre nos traz coisas novas.

Devemos lembrar também que há um grande mover de Deus nas artes nesses últimos tempos, com a restauração da espontaneidade e expressividade no meio da Igreja. A expressão do nosso coração nos dá a oportunidade de chegarmos a Deus com todo o nosso ser, com tudo o que temos e o que somos, afinal somos livres pela graça de Jesus!

Uma condição essencial e obrigatória para o ato da adoração é a santidade. Não há nada que agrade tanto o coração do Pai do que uma adoração sincera, verdadeira e pura. A dança também pode expressar este tipo de adoração.

Muitas vezes não entendemos que Deus criou todas as coisas, e não "só algumas" e todas as coisas são para o reino Dele. Às vezes costumamos limitar a presença de Deus em nosso meio achando que Ele se manifesta da maneira como pensamos ou queremos. Assim impomos situações e criamos preconceitos, sem saber que Deus pode receber o nosso louvor independente da arte que está sendo utilizada (música, dança, mímica, teatro etc).

A dança é uma possibilidade de linguagem. Na Bíblia podemos encontrar inúmeras citações sobre a dança usada para o louvor e nos momentos de celebrações. O povo de Deus, no Antigo Testamento, por exemplo, dançava em suas festas com expressão de júbilo e agradecimento diante do Senhor. No livro de Samuel podemos observar que Davi adorava a Deus com todas as suas "forças" e é assim que temos que adorar a Deus, com todas as nossas forças. Foi o mesmo Davi que dançou e saltitou alegremente quando a Arca chegava em Jerusalém.



Fonte: Comunidade Shalom
Postado por Missão Católica VIDA NOVA

POSTURA E COMPORTAMENTO.

Ser artista e manifestar os dons e talentos não significa ser estrela, brilhar ou tomar a frente de Jesus.
Ele é o destaque, para ele é todo o louvor. Toda apresentação que não tocar os corações dos fiéis com louvor, não ir de acordo com a liturgia ou exagerar no exibicionismo... Deixará de ser um serviço a Deus, um ato missionário e aos moldes de Jesus. 
Somente a ele devemos honras e glórias. Seguir seu exemplo é ser humilde, simples, fiel e tocar com a palavra, ações e exemplos. Não com méritos e honras. 
Postura antes de tudo é o comportamento visto pelo vocabulário, expressões, atitudes, vestes e amor em sua missão. Fugir da boa postura é buscar ser servido com honras ao invés de servir em missão e evangelização. 


DISPONIBILIDADE E COMPROMISSO.

Numa visão generalizada aquele que deseja cuidar com fidelidade da missão à qual o Senhor lhe 

convidou a servir, necessita estar disposto a dar-se sem medidas. "Amar é dar-se até doer". (Madre Teresa de Calcutá). O membros do Ministério de Música e Artes são igualmente chamados a sairem de si, a servirem.  Não é um ministério para os que se servem, nem tão pouco para os que preferem servidos, mas para os que preferem oferecer gratuitamente o que recebem de Deus e o fazem por gratidão ao próprio Deus. O desejo do sacrifício deve, assim, ser como um motor que leve o eleito a sempre ir além, a dispor não somente as suas possibilidades e potências ao Senhor e aos irmãos, mas ao sacrifício cotidiano do que é lícito para unir, como a viúva no templo, o que de nós é mais precioso em favor da edificação do Reino.

Existem, contudo, algumas formas de servir-se no ministério: aquele que busca não participar de ensaios; não comparecer às formações; cantar, tocar ou dançar apenas o que se gosta ou quando se está bem, ou ao menos considera estar bem, precisa buscar a sua verdade pelo fato de ainda não ter entendido que ministério é serviço a Deus e ao outro


Desobedecer ao Ministro ou não entregar-se ao chamado é antes de tudo uma infidelidade com Deus e um descompromisso com a missão a que ele confiou.

SER MEMBRO OU MINISTRO É SERVIR A DEUS E IMITAR DE PERTO O SENHOR.

 Cristo... Particularmente, não imagine ele que lhe é confiado um único tipo de almas..." (CIC 24)

Uma forte característica do bom ministro é o serviço: lavar os pés dos outros com água nova, amar a todos, dar-se sem medir, fazer a vontade de Deus... sempre no louvor, fazendo uso de uma linguagem atualizada e própria para cada instante. Aqui se pode destacar tanto a renovação do repertórios utilizados nas diversas assembléias (congressos, cursos, missas...), como o uso dos carismas em benefício do povo ao qual se serve. 

É importante, neste aspecto do serviço, refletir que:

SER DA LINHA DE FRENTE é servir primeiro, buscando imitar mais de perto o Senhor, sofrendo as primeiras consequências, chegando antes e saindo depois.
ESTAR NA OFENSIVA E NA DEFENSIVA é servir na batalha espiritual, ao Senhor e ao seu povo. Dispor tudo para Deus indo contra a ação silenciosa, sutil ou mesmo nítida do inimigo, intercedendo para que se abra o céu num derramamento de graça. Estar atento ao que possa romper com a ação de Deus e pela graça, pela unção, defender a assembléia, "o coração do homem", contra os ardis do demônio, ou mesmo, contra as próprias tendências da carne.
O ministro de música e artes está:
- A serviço da Trindade: Servir ao Pai, por Cristo, no Espírito, fazendo, por sua vez, a vontade de Deus - como Jesus, pobre, obediente e casto - na unção do Espírito, precisando ir onde Deus mandar, esperando, vivendo e crendo n'Ele. Por amor... 
- A serviço do povo de Deus: Ë para o povo que existe o ministério de música e artes. Este é auxílio, porte da graça. Deus realiza por meio de homens para alcançar outros homens. Não é fazer o que o povo quer e sim saber o que Deus quer fazer em favor do povo. Servir bem é, portanto, dar somente o que vem de Deus para saciar a fome e a sede do povo. 
- A serviço da Igreja: Ministramos o que cremos e não a nós mesmo, e não a cultura, o conhecimento por ele mesmo, a lógica. Ministramos a verdade conhecida e experimentada, a graça recebida e transbordada, a fé acolhida e vivenciada. É indispensável a coerência entre a vida do servo e a fé professada pela Igreja, afinal, como Igreja as partes formam um todo que necessita estar em unidade e esta unidade exige conhecimento, busca da verdade, renúncia das próprias mentalidades geralmente formadas pelos ditames do mundo. 

SER SERVO DE DEUS, É SER HUMILDE.

O humilde, pousa os olhos no Senhor: "Tu sois Santo, Tu sois Altíssimo." Sabe que por si só nada tem

 e nada é; reconhece imediatamente o bem que em si existe e as qualidades que possui, mas tem sempre em mente a expressão: Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o tivesses recebido? (I Cor 4,7); humilha-se no reconhecimento do seu próprio nada e da sua absoluta dependência de Deus, e mantém-se no lugar que lhe compete.

O humilde vê com clareza que tudo recebeu de fora, tanto na ordem da natureza: vida, corpo, inteligência, talento, saúde e força, olhos, membros, etc; como na ordem da graça. "Deus produz em nós o querer e o agir"(Fil 2,13), "não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar coisa alguma, porque a nossa suficiência vem de Deus"(II Cor 3,5); nenhum pensamento, nenhuma decisão salutar, grata a Deus, nenhuma obra boa, nem mesmo a mais íntima, nenhuma oração. Nenhum ato de fé ou de caridade provêm do servo nem pode-se tomar completamente para si. Mesmo a cooperação com a graça, o fato de não se abusar dela e de se lhe corresponder inteiramente, é fruto da ação de Deus na vida do ministro. Quão exatas são as palavras do Apóstolo: "Que tens tu que não tenhas recebido?" Nada, absolutamente nada !

Ele sabe, todavia, que há algo exclusivamente do homem: o pecado. O humilde sabe muito bem que, abandonado a si mesmo, só disso é capaz: de pecar. Se não caiu ainda nestes ou naqueles pecados, não o deve a si mesmo, mas unicamente a Deus que, na sua infinita misericórdia, o preservou: isolado não teria podido defender-se. Como o publicano do Evangelho, reconhece-se pecador, e indigno de levantar os olhos ao céu, indigno da estima e do afeto dos homens; merecedor de ser tratado apenas como é: um pecador.

É dizer como São Francisco: "Quem és Tu, quem sou eu". É olhar para si com os olhos de Deus para conhecer-se, acolher-se e amar-se com o Seu amor. Como transbordamento de uma conversão que se dá constantemente a partir deste conhecimento saberá o ministro ser, na sua missão, o que Deus quer, o que Ele pensa, o que Ele espera

PROFISSIONALIZAÇÃO E FORMAÇÃO

Além de uma necessidade e de ser vontade de Deus, a profissionalização e formação é uma fonte de eficiência diante do empenho que é exigido no serviço, não deixando, de exigir um empenho próprio para conquistá-la, com entusiasmo e perseverança. É muito importante ressaltar que ela está abaixo do amor a Deus, não pode ser prioridade quando não há vida concreta de oração, pois será um simples sinal deste amor.

Na velha batalha entre a vida espiritual do ministro e o seu desejo de progresso, no tocar, cantar, dançar ou atuar, só será verdadeiro se for fruto do progresso interior, pode-se dizer que profissionalizar-se é viver um dos aspectos necessários no cumprimento da missão própria do ministro ,  afinal Deus fará na humanidade do servo a aptidão natural aperfeiçoada pelo conhecimento, estudo técnico, talentos e cuidados com desde o corpo e cordas vocais até os instrumentos utilizados.

Haja, contudo, um cuidado quando se busca a técnica, com a influência de instrutores(as) que tenham, além de uma visão, uma vida ou ideologia não evangélica, especialmente na área específica da qual estamos tratando. Isto para que não haja quebra de uma reta intenção do coração, muito menos a direção que deve tomar o ministro no seu serviço. Se a técnica é instrumento de desvio, melhor seria operar a graça na "fraqueza" do servo. Ser um profissional no Reino pede uma maturidade e uma abertura para que Deus continue sendo o centro das opções e da vida dos artistas que o servem. 

INTEGRAR O MINISTÉRIO É RESPONDER AO CHAMADO E SER OBEDIENTE.


"Eu sou a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra".(Lc 1,38)

Ser Ministro ou Membro deste ministério corresponde a uma resposta a esse chamado, dentre eles a obediência.

O que é a obediência do ministro de Música e Artes senão fazer a vontade de Deus? Um músico ou artista eleito não faz mais a sua vontade, mas a de Deus, a não ser que sua vontade coincida com a de Deus... Mas sabemos que nem sempre é assim, então Deus nos concede a graça para que se possa ser fiel a Ele.
Todos que aceitaram integrar o ministério já obedeceram, pois corresponderam ao chamado de Deus. Ser músico, dançarino ou artista é antes de tudo um talento concedido e um dom que nasceu no coração e não uma simples escolha. 
Antes de tudo, devemos obediência a Deus. E também aos Ministros por ele enviados. 

As pessoas que devemos obedecer são na verdade, Mediadores da autoridade concedida por Deus. Devemos obediência as nossas autoridades, não por elas mesmas, mas porque a elas foi dada a missão de representarem a Deus.

Aquele que se dispõe a servir de coração será chamado constantemente a obediência para ser feliz, na oração pessoal, na leitura de Sua Palavra e na eucaristia.
A obediência é uma grande fonte de bênçãos, eficaz instrumento que o Senhor utiliza para purificar a nossa vontade nos tornando livres para seguir Jesus Cristo. (cf. ECCSh 131).
A eficácia de uma evangelização depende totalmente da obediência, sem a obediência tocar, cantar, dançar ou interpretar será em vão, de nada valerá..., pelo menos para nós, embora parcialmente edifiquem os outros. 
Cante, Toque, Dance e Interprete com louvor de todo o seu coração, e também o coração de Deus se alegrará. 

MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES

O Ministério de Música e Artes, segue os moldes de Jesus e Maria como parte do movimento RCC (Renovação Carismática Católica). Apresenta a responsabilidade de resgatar a música, dança, teatro e diversas manifestações artísticas de todas as distorções e do mau uso que fazem delas.
 O papel dos ministros e coordenadores  é de levar as pessoas a abrirem o coração ao louvor e a oração por meio da melodia, dos cânticos e interpretações em louvor ao Senhor. E como este é um ministério de louvor, os seus membros precisam ser cheios da unção de Deus, carregados da mensagem de amor de Deus  para o homem, da mensagem do Pai para os seus filhos. 
Os ministros precisam levar seus membros a transmitirem um verdadeiro e fraterno amor aos irmãos e transformar os talentos em um verdadeiro recurso para alegrar o coração de Deus e levar as pessoas a descobrirem o que há no mais recôndito dos seus corações, e fazê-los transbordar com seus corpos e suas vozes, um agradável louvor ao Senhor e uma explosão de verdadeiro e fraterno amor a Cristo. 
É preciso utilizar todos os recursos que a música e as artes possuem para extrair delas o máximo de beleza e riqueza, a fim de encontrar e converter aqueles que, até então, só tinham ouvido algo vazio, sem mensagem de vida eterna. 

NÃO BUSCAR AS HONRAS! A HUMILDADE DE MARIA MOSTRA O QUE É EDUCAR COM AMOR



O Portal RCCBRASIL dá continuidade à publicação das cartas aos artistas escritas pelo coordenador nacional do Ministério de Música e Artes, Juninho Cassimiro. No artigo anterior, o tema abordado foi Ministério de Música e Artes: Aos Moldes de Maria. Neste, Juninho reflete sobre a humildade de Maria, virtude fundamental para os artistas cristãos. Leia abaixo:

altO nosso ministério por ser artístico tende a ser belo e chamar a atenção dos que veem e ouvem. É natural que nos elogiem, que reconheçam a qualidade e a beleza que foi executada. Diante disso, temos dois caminhos: Não buscar as honras e fugir delas.
Não buscar as honras
É natural que quando fazemos algo que julgamos ser bom, queremos em troca no mínimo um reconhecimento. Fomos educados assim, na infância com os nossos pais, quando fazíamos algo de bom, era mais que justo nossos pais nos dar algo em troca. Na escola, quando prestávamos atenção, estudando, caladinhos, logo por justiça queríamos receber boas notas, pontos positivos... Nem sempre fazíamos para aprender propriamente, mas pensando no que receberíamos em troca. No trabalho é a mesma coisa, por diversas vezes fazemos as coisas para que nossos superiores vejam, fiquem satisfeitos e assim, podemos ser elogiados e quem sabe merecermos uma promoção.
Mas, no caminho de Deus é diferente. Estamos sim a serviço, temos que dar o nosso tudo e por fim, dizer como Jesus nos ensina: "Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer." Lc 17, 10
Irmãos aprendamos assim, não vamos procurar ser reconhecidos, não busquemos elogios, não busquemos honras.
Quantos ensaiam suas músicas, peças, danças, pensando em mostrar pro outro a sua capacidade. Quantos em vez de executar sua arte para a evangelização propriamente, a fazem para que o outro artista reconheça o que está fazendo de bom. Muitas vezes com um ar de concorrência. Por isso, exponho aqui uma grande preocupação com festivais por nós realizados, onde precisa se escolher um melhor para ser premiado. E é natural que o ministério vai ensaiar para fazer o seu melhor, mas no fim, vai torcer para que o outro seja pior ou erre mais que você. A disputa é uma falta de caridade, logo, a ausência da humildade. "Quando disputas com seu irmão e vences, lembra-te que venceste o seu irmão”, (Rogério Soares).
Quantos pedem oportunidades em grandes eventos, visando a quantidade de público, imaginando que se apresentando naquele lugar o seu ministério vai ter o "devido reconhecimento" e por muitas vezes usa-se o termo "Evangelizar" como pretexto pra sua própria vaidade. Como eu dizia no ENF e tenho dito sempre, nós não precisamos de OPORTUNIDADE e sim de CHAMADO (Sobre esse tema, precisamos aprofundar mais pra frente).
Fugir das honras
Uma coisa é buscar o reconhecimento, a outra é fugir, além de não procurá-lo, fugir antes que apareça. Jesus quando realizava algum milagre, sempre dizia, "não fale a ninguém" ou senão, o víamos fugindo das honras. Veja o exemplo no evangelho de São João, no fim da narração da multiplicação dos pães:"À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: Este é verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo. Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte." Jo 6, 14-15
Maria sendo a discípula perfeita de Jesus se esconde na maior parte do seu tempo de vida na terra. O escondimento de Maria é algo encantador. Não usou do prestígio de ser a Mãe do filho de Deus, muito pelo contrário, uma vez quando Jesus pregava numa casa ela ficou do lado de fora "esperando" para falar com Ele, não quis nem mesmo interromper. (Mt 12,46). Não usa do prestígio de ser a Mãe de Deus, mas espera, silencia e se esconde. Pelo contrário, se manifesta na hora da humilhação, que é típico de quem é humilde. Escrevo agora na íntegra um trecho do livro de Sto Afonso:
“Os humildes amam finalmente os desprezos
Eis por que não se lê que Maria aparecesse em Jerusalém no domingo de Ramos, quando seu filho foi recebido com tanta pompa pelo povo. Mas por ocasião da morte de Jesus, não receou em comparecer em público no calvário, aceitando assim a desonra de se dar a conhecer a mão de um setenciado que ia sofrer a morte de um criminoso. Ela mesma disse uma vez a Sta Brígida: que há de mais humilde, do que ser chamado de louco, sofrer privação de tudo e ter a si mesmo por ultimo de todos? Ó filha era assim a minha humildade, na qual estava a minha alegria e todo o desejo do meu coração; pois minha única preocupação era ser em tudo semelhante a meu filho”.

NÃO BUSCAR AS HONRAS! A HUMILDADE DE MARIA MOSTRA O QUE É EDUCAR COM AMOR

Não buscar ou fugir das honras remete-nos a RENÚNCIA.
Quero finalizar esse texto com pontos a serem meditados e renunciados por nós.
Renunciar a que?
- O problema não é possuir e sim o apego com o que já tenho;
- Renunciar ao prazer de ter razão em todas as coisas. Por causa de prazeres passageiros sofrem-se tormentos eternos;
- Lembra-te que é pecador;
- Considera-te o menor de todos;
- Não faça nada para receber elogios;
- Fuja do primeiro lugar/das glórias humanas;
- Não fale bem de si mesmo aos outros;
- Promova o outro;
- Deixe o melhor lugar para o outro;
Concluo essa nossa reflexão, com a consciência que não se esgota aqui. Temos muito a mergulhar nessa virtude da Humildade, olhando sempre pra Maria, rezemos. Irmãos, rezemos muito, rezemos com piedade, rezemos irmãos. Vamos juntos dando um passo de cada vez, mesmo que esse passo seja tão difícil. Rezemos em unidade buscando sempre sermos humildes.
Juninho Cassimiro
Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes.

MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES: "Eis aí tua mãe"

NÃO BUSCAR AS HONRAS E FUGIR DELAS

O coordenador nacional do Ministério de Música e Artes, Juninho Cassimiro, dá continuidade às cartas aos artistas de toda a RCC do Brasil. No artigo anterior, a reflexão foi sobre a humildade “Aos moldes de Maria: Não buscar as honras e fugir delas”. Já este texto diz sobre o ato de João acolher Maria como Mãe em sua casa. O convite é que todos possam fazer o mesmo. Acompanhe:
Mais do que ter devoção a Maria, precisamos imitá-la. (Raniero Cantalamessa)
alt
O ministério de Música e Artes de todo o Brasil está sendo chamado a amar Maria. A frase do Raniero já nos propõe que somos devotos à virgem Maria. Por isso me pego perguntando se realmente somos ou não devotos de Nossa Senhora.
Sinto que a devoção a Santíssima Virgem nasce a partir de uma experiência com Ela. Diz São Luiz Maria Grignion de Montfort que a devoção à Santíssima Virgem é necessária para conseguirmos ser salvos e sermos santos.
Saber que a devoção é necessária para a nossa santidade e salvação já seria pra nós um grande impulso. Mas seríamos “devotos interesseiros” se assim o fizéssemos. Portanto, a devoção à Santíssima Virgem precisa ser um ato de amor, tão somente por amor. Vamos caminhar a partir da palavra de Deus:“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27).
Eis aí tua mãe
Com certeza todos os apóstolos tinham grande amor por Maria. Ela era a mãe daquele homem que havia conquistado e transformado a vida deles. Como não amar essa mulher? Eles com certeza já eram tratados como filhos, porque eram os amigos de Jesus. E ela já tinha todo o carinho desses homens, porque Ela é a mãe de Jesus de Nazaré.
Aos pés da Cruz, um desses discípulos estava com Maria, era João. Ele vendo e ouvindo tudo o que ocorria naquela cena. Num ambiente que parecia ser trágico, num clima de profunda tristeza “Jesus viu sua mãe e perto dela estava ele, o discípulo que amava” e disse a tua mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. Será que conseguimos imaginar o que foi isso pra João? Como deve ter sido ouvir isso de Jesus?
Lógico que há todo um sentido teológico, mas, na minha simplicidade eu me emociono ao me colocar no lugar de João.
Primeiro pelo consolo, Jesus consola João e também a sua mãe ao devolver a ela a maternidade. Consola João, pois tem agora Maria, a mãe dEle, como sua própria mãe. Maria não perde sua maternidade, será mãe do menino João, o discípulo amado. João não terá mais Jesus, mas, terá aquela que o gerou, que o fez homem.
Em João está configurado cada um de nós, filhos de Deus. Jesus entrega a Maria os seus, os filhos de Deus, e agora, os filhos de Maria.
E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa
Tenho certeza que, mesmo João não compreendendo muito que significava tal responsabilidade, ele A levou para sua casa.
Depois que Jesus morreu, Maria o segurou nos braços e junto com os apóstolos o sepultou. Fecharam o sepulcro com uma grande pedra... Pairava um grande silêncio... Eles olhavam uns para os outros. Todos, com uma profunda tristeza, decidiram ir embora. Mas, um deles foi acompanhado, voltou pra casa como nunca havia voltado. Tinha uma companhia que só o fazia se questionar: “O que fiz pra merecer tamanha graça de ter em minha casa a mãe do meu Senhor?”.
Irmãos permitam-me me aventurar me colocando no lugar desse discípulo amado. A missão que Jesus deu a ele não era nenhum tipo de fardo ou algo preocupante. Era sim uma honra. João se sentia honrado. Era o tesouro de Jesus, a mãe do filho de Deus que estava agora a cada passo se aproximando de sua casa. Só um presente desses poderia dar a João uma alegria que lhe foi roubada com o sepultamento do homem de Nazaré. Eles estavam de luto, mas João estava com o coração cheio de alegria pelo bem que Jesus do alto da Cruz lhe fez.
E João a levou para sua casa. Como isso aconteceu, não sei dizer por que não nos narra os evangelhos, ficou como um belo e precioso segredo de João. Mas, minha imaginação me permite colocar-me no lugar do evangelista, que talvez tenha agido assim: Abriu a porta, “Pode entrar mãe, essa agora é a sua casa, fique à vontade, você agora é dona dessa casa, a minha mãe, eu sou seu filho e quero obedecer-te todos os dias da minha vida”. João deveria estar todo deslocado, sem saber ao certo como agir. E talvez deva ter ouvido de sua nova mãe: “Calma meu filho, está tudo bem, não se preocupe”. A realidade é que João levou Maria para sua casa. 
Aqui está o centro e o objetivo desta reflexão: Levar Maria pra casa. Se nós afirmamos todos os dias que Maria é nossa mãe, fundamentados nessas palavras de Jesus a João, “Eis aí tua mãe”, se faz necessário a nós, membros do Ministério de Música e Artes do Brasil, olhar para a continuidade do versículo: “E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”. Diante disso, quero trazer dois DIRECIONAMENTOS para todos do nosso Ministério:
Primeiro – Levar Maria pra casa
Quero pedir a todos que providenciem uma imagem de Nossa Senhora. Independente do título, cada um pode escolher de acordo com sua devoção. Peçam para o seu sacerdote benzer, preparem um altar bem bonito e organizado para ela. E introduzam Maria em vossa casa. Ouça Jesus dizendo “Eis aí a tua mãe” e façam acontecer a continuidade do versículo “E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”.
Segundo – Rezem o Rosário
Penso que o Evangelho de João é tão rico, assim como o conhecemos, principalmente por ter levado Maria pra sua casa, ela com certeza contribuiu muito para que João conhecesse ainda mais de Jesus. Assim, como o rosário passeia nas vias da história de Jesus e Maria, precisamos assumir o compromisso de rezarmos todos os dias. Se você não consegue parar para rezar o rosário inteiro, divida-o durante o dia, em momentos distintos. Mas, que um desses momentos, você pare diante de sua imagem e reze com ela.
Vejam o trecho da Carta Apostólica de João Paulo II:
Rosarium Virginis Mariae
No itinerário espiritual do Rosário, fundado na incessante contemplação – em companhia de Maria – do rosto de Cristo, este ideal exigente de configuração com Ele alcança-se através do trato, podemos dizer, “amistoso”. Este introduz-nos de modo natural na vida de Cristo e como que faz-nos “respirar” os seus sentimentos. A este respeito diz o Beato Bártolo Longo: «Tal como dois amigos, que se encontram constantemente, costumam configurar-se até mesmo nos hábitos, assim também nós, conversando familiarmente com Jesus e a Virgem, ao meditar os mistérios do Rosário, vivendo unidos uma mesma vida pela Comunhão, podemos vir a ser, por quanto possível à nossa pequenez, semelhantes a Eles, e aprender destes supremos modelos a vida humilde, pobre, escondida, paciente e perfeita».
Neste processo de configuração a Cristo no Rosário, confiamo-nos, de modo particular, à ação maternal da Virgem Santa. Aquela que é Mãe de Cristo pertence Ela mesma à Igreja como seu «membro eminente e inteiramente singular» sendo, ao mesmo tempo, a “Mãe da Igreja”. Como tal, “gera” continuamente filhos para o Corpo místico do Filho. Fá-lo mediante a intercessão, implorando para eles a efusão inesgotável do Espírito. Ela é o perfeito ícone da maternidade da Igreja.
O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria dedicada a acompanhar o crescimento humano de Cristo na casa de Nazaré. Isto permite-lhe educar-nos e plasmar-nos, com a mesma solicitude, até que Cristo esteja formado em nós plenamente (cf. Gal 4, 19). Esta ação de Maria,totalmente fundada sobre a de Cristo e a esta radicalmente subordinada, « não impede minimamente a união imediata dos crentes com Cristo, antes a facilita ».É o princípio luminoso expresso pelo Concílio Vaticano II, que provei com tanta força na minha vida, colocando-o na base do meu lema episcopal: Totus tuus. Um lema, como é sabido, inspirado na doutrina de S.Luís Maria Grignion de Montfort, que assim explica o papel de Maria no processo de configuração a Cristo de cada um de nós: “Toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devoções é incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria entre todas as criaturas a mais configurada a Jesus Cristo, daí se conclui que de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor é a devoção a Maria, sua santa Mãe; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo”.Nunca como no Rosário o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só vive em Cristo e em função de Cristo! (Fonte: Vatican.va)
Vamos trilhar esse caminho que nos levará a amar a nossa mãe do céu. Preparando um lugar pra ela em nossa casa e rezando o rosário todos os dias, com certeza, estaremos trazendo Maria pra mais perto de nós. Se quisermos imitá-la, sem essas práticas, ficará muito mais difícil. Penso ser um pedido desafiador, mas, não me resta dúvida que colheremos muitos frutos de santidade quando estivermos mais próximos de Maria.
Compartilhem esse artigo a todos os Artistas da RCC e que vivamos animados por essa prática de devoção à Santíssima Virgem.
Juninho Cassimiro
Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes

Acompanhe no próximo artigo: Ministério de Música e Artes: Olhar fixo em Maria

DIA DE TODOS OS SANTOS - O LADO DE LÁ E O LADO DE CÁ

DIA DE TODOS OS SANTOS - O LADO DE LÁ E O LADO DE CÁ

O calendário da Igreja nos oferece, neste final de semana, duas faces da magnífica medalha cunhada por Deus, que é a nossa vida: o Dia de todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis falecidos. Olhamos primeiro para o ponto de chegada, que corresponde ao magnífico destino para o qual fomos criados, a plenitude da vida e da felicidade junto de Deus, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9). Temos a certeza de que Ele não fez ninguém para a perdição, mas todos têm em si a vocação para a plena realização de todas as suas potencialidades. Tanto é verdade que o Pai do Céu enviou seu próprio Filho, como nosso Salvador e Redentor, para que todos tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10).
Vida plenamente humana é aquela que enxerga o horizonte aberto pelo próprio Deus. A Solenidade de todos os Santos indica a perspectiva da existência marcada por uma realidade descoberta pela fé: “Desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1 Jo 3,2). Santidade é para todos! Se nos alegramos com a iminente canonização de dois papas do nosso tempo, os Beatos João XXIII e João Paulo II, é para que sejam reconhecidos como referência e como possibilidade. São duas personalidades carregadas de humanidade, cujo percurso histórico nesta terra teve muito de parecido conosco. São homens que vieram de famílias muito simples, lutaram e amadureceram em tempos de desafios grandes, com a provocação das ideologias do século XX. Souberam dialogar com a cultura de nossa época, alegraram-se e sofreram com as mesmas realidades que até hoje nos envolvem. Percorreram o caminho dos bem aventurados, de olhos fixos naquele que é “o bem-aventurado”, Jesus Cristo: os pobres em espírito, dos quais é Reino dos Céus; os aflitos,  que  serão consolados; os  mansos, porque possuirão a terra; os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, que alcançarão misericórdia; os puros de coração, porque verão a Deus; os que promovem a paz, chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, de quem é o Reino dos Céus!  Homens e mulheres que se descobriram felizes quando injuriados e perseguidos por causa de Cristo. Pessoas portadoras de uma alegria invencível, certos da recompensa nos céus (Cf. Mt 5, 1-12).
A santidade, vocação universal dos cristãos, começa com coisas simples. João XXIII registrou em seu Diário íntimo um caminho bom para todos, adequado para uma festa de Todos os Santos bem vivida, chamado Decálogo da serenidade:
“1. Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez; 2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo; 3. Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste; 4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos; 5. Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo à uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma; 6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação, e não direi a ninguém; 7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba; 8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos o escreverei, e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão; 9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo; 10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade”.
A santidade que começa com muita simplicidade é destinada a fazer o bem aos outros. Não é feita para aparecer, não se incha de orgulho. Sua motivação de fundo é a caridade, sem a qual nada vale neste mundo. Até porque é apenas a caridade que será levada para o encontro definitivo com Deus, “o lado de lá”, quando veremos face a face o Senhor. Ela é uma aventura feliz e bem sucedida, construída no dia a dia e unificada pelo fio de ouro do amor de Deus, que nos faz ver o sentido de tudo o que vivemos. De fato, tudo concorrerá para o bem dos que amam a Deus (Cf. Rm 8, 29)!O Livro do Apocalipse vê uma imensa multidão, de toda língua, raça, povo e nação, “os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Cf. Ap 7, 2-14).
O “lado de lá” é preparado pelo “lado de cá” bem vivido, com o qual os homens e as mulheres se preparam para a páscoa pessoal, enfrentando todas as dificuldades e ultrapassando o misterioso e também magnífico umbral da morte. Como ninguém ficará para semente nesta terra, ocorre meditar sobre esta realidade, tomar consciência de sua seriedade e preparar-se bem. Morremos do jeito que vivemos. Nossa morte e nosso Céu se constroem no dia a dia, para que o dia do Senhor não nos surpreenda, mas nos encontre vigilantes e preparados!
Ninguém precisa ficar preocupado com a morte, mas viver bem, amando a Deus e ao próximo, semeando o bem e a bem-aventurança. E quando a morte chegar, será a oportunidade de virar o jogo! O segredo está, também aqui, em nosso Salvador: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10,18).  Vale a pena antecipar a morte! Sim, morrendo cada dia para o egoísmo e para a maldade, transformando em dom a Deus e aos outros cada ato de nossa existência. Quem viver assim poderá dizer com São Paulo: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro. Ora, se, continuando na vida corporal, eu posso produzir um trabalho fecundo, então já não sei o que escolher. Estou num grande dilema: por um lado, desejo ardentemente partir para estar com Cristo – o que para mim é muito melhor; por outro lado, parece mais necessário para o vosso bem que eu continue a viver neste mundo” (Fl 1,21-24). Que cheguemos a tais alturas: “Sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna. Aliás, é por isso que gememos, suspirando por ser sobrevestidos com a nossa habitação celeste; sobrevestidos digo, se é que seremos encontrados vestidos e não nus. Sim, nós que moramos na tenda do corpo estamos oprimidos e gememos, porque, na verdade, não queremos ser despojados, mas sim sobrevestidos, de modo que o que é mortal em nós seja absorvido pela vida. Quem nos preparou para isto é Deus, que nos deu seu Espírito em garantia. Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos, longe do Senhor; pois caminhamos pela fé e não pela visão. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor” (2 Cor 5, 1-8).
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"O lado de lá e o lado de cá"


Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL

VENÇA SEUS MEDOS

MINISTÉRIOS DE MÚSICA E ARTES: Aos moldes de MARIA

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No Encontro Nacional de Formação 2013, o Ministério de Música e Artes do Brasil foi conduzido a meditar profundamente sobre Maria.
“Irmãos estou mais que convencido que vamos olhar muito para Nossa Senhora, vamos mergulhar com mais vontade e docilidade em sua vida e suas virtudes.
Partimos primeiro da história da igreja e de seus santos, que sempre tiveram uma grande devoção a Nossa Senhora, e assim foram conduzidos à santidade.  Mas, antes disso o maior exemplo que temos é do próprio Senhor Jesus”, afirmou o coordenador nacional do Ministério, Juninho Cassimiro.
Juninho direcionou algumas cartas de formação sobre Maria, ao Ministério e aos artistas carismáticos. O Portal RCCBASIL disponibiliza as cartas “Aos moldes de Maria”.
A paz de Jesus meus irmãos! Peço a Deus que vos transbordem de alegria que é Fruto do Espírito.
Sabemos que, neste ano, o direcionamento a ser seguido pelo Ministério de Música e Artes do Brasil é o ter Maria como modelo. Vamos partilhar um pouco sobre a Humildade de Maria, rezar com ela para sermos reeducados e juntos abrirmosmão de todo tipo de orgulho e vaidade.
Uso como base o livro Santo Afonso de Ligório - GLÓRIAS DE MARIA, que tem sido um dos meus livros de cabeceira. Vamos caminhar...
"De todas as virtudes é a humildade o fundamento e a guarda. Sem a humildade não há virtude que possa existir numa alma. Possua embora todas as virtudes, fugiriam ao lhe fugir a humildade" (Sto Afonso de Ligório).
Maria tinha tudo para se gloriar, pois depois de Jesus não existiu ninguém nessa terra que fosse tão cheia de graça quanto ela. Se pararmos um pouco pra imaginar a que é Maria chamada eescolhida, certamente nossa razão entraria em conflito. Deus escolheu Maria para ser MÃE DE SEU FILHO. Repito: Deus escolheu! Não foi um homem, não foi por votação, não foi por sorteio ou sorte. Deus escolheu Maria.
Deus determinou sua Imaculada Conceição, quer dizer, nasceu sem a mancha do pecado, sem a culpa original, concebida sem pecado. Cresceu em toda sua infância e adolescência sem ofender a Deus. Era A ESCOLHIDA.
Mesmo com tudo isso, ela não se gloria, sabe que Deus a escolheu, sabe que Deus a olhou, sabia de sua pequenez, mesmo sendo a escolhida, a cheia de graça. "Porque olhou para sua pobre serva" (Lc 1, 48).
O fato de ser escolhida, não se sente maior que os outros, porque sabe que foi uma escolha, Deus a fez assim, Deus a preparou assim. Portanto, é a Deus que ela voltou o seu olhar e seu louvor, a glória é de Deus, pelo simples fato de ter sido uma escolha Divina.
“E Maria disse: ‘Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador’” (Lc 1, 46-47). "Porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo" (Lc 1, 49).
Toda a glória ela dá a Deus, só a Deus. Sabe que foi Deus quem realizou, sabe a quem direcionar as honras pelo dom que recebeu.
Vamos olhar pra nós agora.
Nascemos com a mancha do pecado, com a culpa original, somos pecadores e ofendemos a Deus desde que tomamos consciência das coisas. Mergulhados no pecado, Deus, o mesmo Deus que chamou Maria, também nos chamou, nos fez amados e escolhidos, nos cumula de seus dons, e nos mergulha em sua misericórdia.
Quando enxergamos essa nossa realidade e olhamos para Maria, logo, vemos Maria nos educando a respeito de nosso chamado. Ela tinha todos os motivos para se gloriar, porque ninguém nesse mundo foi tão cumulado de graça quanto ela. E nós, por tão pouco, nos envaidecemos com o pouco que temos e o pouco que fazemos.
Reconhecermos que temos os dons, não é falta de humildade, diz Santa Teresa, que "A humildade é a verdade".  Portanto, reconhecer o Dom que tem, é a verdade, não tenhamos falsa humidade, quando nos perguntam, por exemplo:
- Você sabe tocar?
- Não, eu só arranho ou sei mais ou menos...
Aí, quando pega o instrumento, mostra toda a sua habilidade, como se a resposta: "não só arranho, sei mais ou menos" fosse um ato de humildade. Pelo contrário, é uma falsa humildade, é uma mentira. Logo, se a humildade é a verdade e a verdade vem de Deus, a verdade é Jesus, a falsa humildade é uma mentira e vem do próprio demônio.
A diferença está em como agir depois da escolha, depois de receber os dons. Isabel recebe Maria em sua casa e lhe saúda com as seguintes palavras:"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre." (Lc 1, 42). Maria imediatamente direciona as honras a Deus: “E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 46-47). Sabe que foi chamada de Bendita, porque DEUS REALIZOU nela as maravilhas. A alma de Maria estava de verdade glorificando o Senhor, exultando de alegria em Deus, em Deus! Não por ela, mas por Deus.
Somos chamados, sim, temos os dons dado pelo Espírito, mas Ele é o autor, Ele é quem realiza, Ele quem faz. A única coisa que temos, é o nosso nada e o nosso pecado. Se não fosse Deus, o que seria de nós? A humildade nos faz primeiro reconhecermos que é Deus quem realiza todas as coisas.
Portanto irmãos, o nosso ministério, os nossos dons, que por muitas vezes foram alvos de nossa vaidade, nosso orgulho e soberba, precisa ser um grande e precioso motivo de louvor ao Senhor. Quando tivermos um reconhecimento por parte de alguém, vamos aprender com Maria e encher nossa alma de alegria e dizer - "Minha Alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de Alegria". Quanto Deus espera de nós esse verdadeiro louvor. Espera que nossos dons e serviços não sejampara um auto reconhecimento, mas sim para o louvor de Sua glória.
Juninho Cassimiro
Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes.

Acompanhe no próximo artigo: Aos moldes de Maria: Não buscar e fugir das honras



A dança nas celebrações do Renovamento Carismático Católico

A prática da dança na celebração litúrgica e nas celebrações do Renovamento Carismático Católico





UMA LEITURA BÍBLICA.

Diácono Florentino Yanza
Hoje nas nossas celebrações eucarísticas, um fato bem observável é que os fiéis batem palmas, exibem alguns passos de danças ao som e ao ritmo do cântico litúrgico.
No Renovamento Carismático Católico também durante a assembleia carismática a gesticulação é um fato mais vivo e abrange todo o ser dos participantes .
São muitos os que acham que a introdução da dança nas nossas celebrações litúrgicas é uma grande aberração. Por isso, nós vamos procurar ver na Bíblia o que é dito sobre a dança no louvor e adoração do Deus Vivo e Eterno.1.Falta de conhecimentoÉ com muita pena que ouvimos dos nossos irmãos coisas que normalmente não deviam ser ditas. A respeito da dança na liturgia , há pessoas que acham que é uma invenção da tradição africana ou angolana ( ? ), é ligada a emoção e a superstição dos africanos ( ? ), etc.
Acho que a resposta a toda essa gente encontramos no livro do profeta Oseias no capítulo quatro (4) versículo Seis ( 6): « O meu povo perde – se por falta de conhecimento ;... ».
Sim, há falta de conhecimento de muitos entre nós por isso que eles imaginam coisas e ideias que eles acham novidades ou originais. O mais grave é que esquecem mesmo que a nossa Igreja tem um pensamento e um « modus vivendi » fruto de dois mil anos de seguimento do Cristo Salvador.
A dança não faz parte apenas das celebrações profanas, mas também das funções sagradas da grande maioria dos povos
É perante esta preocupação que nós vamos à luz da verdade que liberta ( João 8,32 ) esclarecer o assunto.2. a prática da dança no Antigo e novo testamentoA prática da dança é bem conhecida tanto no Antigo como no Novo Testamento.
No Êxodo 15,20 na conclusão do cântico de Moisés, lemos que « Miriã, a profetisa, irmã de Moisés e Aarão, tomou um adufe, e todas as mulheres a seguiram, com as mesmas atitudes, cânticos e danças » . O contexto aqui é de alegria : as mulheres com a profetisa cantam e dançam de alegria para louvor o Senhor que se cobriu de glória e os libertou da escravidão. ( Ex. 15,1.21).


No livro dos Juizes 11,34 lemos que « ao regressar Jefté à sua casa, Mispá, sua filha saiu-lhe ao encontro com tamborins e danças ».
O contexto é sempre o mesmo, depois duma vitória militar, os cantos e as danças exprimiam a alegria do vencedor. Davi também foi recebido com danças : « Voltando com o exército, depois que Davi venceu e salvou seu povo da mão dos filisteus e também todas as cidades de Israel, as mulheres saíram ao encontro de Saul, cantando e dançando alegremente, ao som de tamborins. E, à medida que dançavam,... » ( 1 Samuel 18,6-7 ).
A prática da dança no culto era também uma realidade no Antigo Testamento.
Depois de ter recebido de Aarão o bezerro de ouro,  lemos que « no dia seguinte de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de ação de graças. O povo sentou-se para comer e beber, e, depois , levantou-se para dançar »( Êxodo 32, 6 ).
Foi em sinal de alegria e de reconhecimento que os filhos de Israel dançaram diante o bezerro de ouro.
A ira de Deus contra os filhos de Israel não foi a causa da dança mas a causa do bezerro de ouro, um ídolo fundido; isto é a idolatria de Israel que atirou a cólera de Deus contra ele. A teimosia do povo em desobedecer as ordens de Deus que despertou fúria. Pois mesmo após serem libertos da escravidão e terem visto todo o poder de Deus através de seus sinais: rio se transformando em sangue, tempestade de pedras, várias outras pragas e o oceano sendo dividido ao meio para o povo passar em chão seco... Ainda tiveram pouca fé e deixaram-se levar por pensamentos alheios, adorando um Deus que nunca tinham ouvido falar "Bezerro de Ouro".
O caso mais explicito é de Davi como podemos ler em II Samuel 6,5.14 : « Davi e toda a casa de Israel dançavam diante do Senhor, ao som de toda a sorte de instrumentos: harpas, cítaras, tamborins, sistros e címbalos. David , cingindo um efod de linho, dançava com todas as forças diante do Senhor ». A dança aqui exprime a honra dada a Deus.
Encontramos muitas passagens nos Salmos sobre a dança como expressão de louvar a Deus : era sempre em comunidade que foi louvado Deus com danças :
Salmo 149,3 : « Celebrem o seu Nome com a dança, ...»
Salmo 150,4 : « louvai- O com tambores e com danças,...»
Ausência da dança é expressão de luto ( Salmo 30,12 ; Lam. 5,15 ) e o fim do exílio coincide com regresso da dança , e é Deus Ele mesmo que gratifica o seu povo do Dom da dança : « Reconstruir-te-ei, e serás restaurada, ó virgem de Israel ! Ainda hás - de ser ornada dos teus tamborins e participar em alegres danças.
Então o jovem executará danças alegres; » ( Jeremias 31,4.13 ).
Podemos se resumir dizendo que a dança aparece em ambas as formas no Antigo Testamento. É parte da celebração da vitória de Iahweh sobre o Egipto ( Ex 15,20 ), da procissão com a qual David leva a Arca de volta para Jerusalém ( 2 Sam. 6,5ss ), da celebração do bezerro de oiro ( Ex 32,19; cf. também Sl 150,4 ; 149,3 ).
A dança também era a celebração duma vitória em combate ou do retorno de um herói ( Jz 11,34 ; 1 Sam. 18,6 ).
Da mesma forma, era parte das festas da vindima ( Jz 21,21 ; Jr 31,4 ). Jeremias viu jovens dançando de júbilo no Israel messiânico ( Jr 31,31).
As danças mencionadas no Antigo Testamento deviam se realizar em grupos, às vezes de homens e mulheres, mas mais frequentemente compostos só de mulheres ; as danças individuais deviam ser menos frequentes. A dança era acompanhada por música e amiúde os dançarinos levavam tamborins nas mãos ( Ex 15,20 ).
A dança de Davi diante da Arca é descrita com um termo que não se repete em outras passagens; devia ser um termo extremamente forte, a julgar pela crítica de Mical ( 2 Sam.6, 14.16.20 ).
O comportamento de Saul junto dos profetas ( 1 Sam.10,10ss ; 19,20ss ) faz pensar que as chamadas « comunidades dos profetas » praticavam um culto feito de canto e dança.
O Novo Testamento não conhece o uso cultual da dança; fala –se pouco e é da dança profana que se fala ( Mat. 11, 17/ Mat.14, 6; Lc. 7, 32/ Lc. 15,25 ; Mc 6, 22). Encontramos passagens onde Jesus fala de crianças cantando e dançando pelas praças ( Mt 11,17ss; Lc 7,32 ).3. a dança na celebração Litúrgica e nas celebrações do R.C.CA dança em qualquer celebração litúrgica sobretudo nas celebrações do Renovamento Carismático Católico não é uma simples expressão da alegria interior , ela é uma atitude que ajuda o crente a exprimir o seu reconhecimento, o seu louvor e a doação total de todo o seu ser ( espiritual e corporal ) a Deus, digno de louvor e adoração. É sempre Deus que está no centro da celebração : é Ele que cura , liberta e salva.
Na Bíblia, vimos que a dança tem também uma grande significação teológica; ela é expressão comunitária de alegria e uma forma de linguagem corporal. Isso é claro que dançar pelo Senhor é e será sempre diferente de qualquer outra oportunidade que a vida pode nos oferecer.
A exigência do bom uso dos meus membros testemunha que não pode dançar de qualquer maneira diante do Senhor como posso dançar a frente de um ídolo de oiro.
A dança numa Igreja é essencialmente religiosa porque é uma oferta total do meu ser a Deus.
A dança é uma alegria interior exteriorizada; é fundamentalmente uma alegria partilhada porque o Senhor está connosco, Ele é o meu Criador e o meu Salvador, por isso manifesto a minha alegria.Conclusão
O Senhor, no Renovamento Carismática Católico, é e será sempre para nós um motivo de grande alegria.
De Ana ( 1 Sam. 2,1 ) até Maria ( Lc 1, 47 ) passando pelos salmistas ( Salmo 5,12 ) e o profeta Isaías ( Is. 61,10), « a minha alma glorificará sempre ao Senhor e o meu espírito exultará sempre de alegria em Deus , meu Salvador » por isso que todo o meu ser participará sempre no louvor e adoração a Deus Vivo e Eterno.
A minha dança a Deus deve ser considerada como um acto de fé. Nunca terei vergonha de louvar o meu Senhor com todo o meu ser.
A dança a Deus purifica todo o meu corpo, santifica a minha mente, liberta o meu espírito e restaura o Templo do Espírito Santo que é o meu corpo ( 1 Cor. 7, 19 ).
É esta, a verdade a ouvir e a aprender para sempre.
Não perca, meu Irmão, dançando diante de bezerro de oiro que nem ouve, nem olha, nem fala, nem pode te salvar ou te libertar da escravidão deste mundo.
O nosso Deus salva e liberta por isso que é digno de louvor e adoração.
Convido - te a adorar comigo o Verdadeiro Deus :
« Tu és digno , tu és digno Tu és digno Senhor ! Receber gloria , Gloria e honra, gloria e honra poder (2x). Porque tu criaste, sim tudo criaste Tua vontade Senhor, São e foram criadas as coisas, Tu és digno Senhor ! (2x)».

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS :

1.A Bíblia de Jerusalem, nova edição, revista, , São Paulo, Paulus, 1980.
2.A Bíblia TOB, Paulinas/Loyola, São Paulo, 1995.
3.Dicionário de Conceito Fundamental de Teologia, , São Paulo, Paulinas, 1993.
4.Dicionário Bíblico ( sob a direcção de John L. McKENZIE,s.j.), São Paulo,Paulus,1983,p.210.
5.JELLER, J., Danser pour Dieu , in Prier 74 (1985 ) p.25ss.

Prof. Diác. Florentino Yanza
Iniciador e Coordenador
Comunidade AVE- Renovamento Carismático Católico,
Seminário Maior de Lubango
Arquidiocese do Lubango,
C. P . 231 - Telefone 06120405; Fax 06130140;
E-mail: Arquidiocese.Lubango@netangola.com